Antes de qualquer furo em uma tubulação pressurizada, o conjunto de fitting, válvula e máquina precisa provar que não vaza. Veja como esse teste é feito na prática.
Antes de qualquer corte em uma tubulação pressurizada, existe uma etapa que nunca é opcional: o teste de estanqueidade do conjunto montado. É esse teste que confirma, antes de a máquina de trepanação sequer começar a furar, que o fitting, a válvula e a própria máquina estão perfeitamente vedados — e que não existe risco de vazamento no momento mais delicado da operação. Este guia explica como esse teste funciona na prática.
Depois que o fitting é soldado à tubulação e a válvula de passagem plena é instalada, a máquina de trepanação (HTM) é acoplada a esse conjunto. Antes de iniciar a furação, é preciso confirmar que todas essas conexões — fitting, válvula e adaptador da máquina — estão estanques na pressão de operação da linha. Furar uma tubulação com uma junta mal vedada significa correr o risco de um vazamento no exato momento em que o sistema está mais exposto: com a parede da tubulação sendo perfurada.
A máquina de trepanação é montada na válvula, verificando se a fresa (ferramenta de corte) pode ser introduzida sem interferências e se a válvula está corretamente centralizada no flange do bocal — essa etapa de instalação costuma levar cerca de 2 horas.
A distância de avanço da ferramenta de corte é calculada com cuidado, de forma que a trepanação termine dentro dos limites dimensionais e que o cupom cortado possa ser recuado o suficiente para permitir o fechamento livre da válvula.
Com a válvula de passagem plena totalmente aberta, o conjunto é preenchido com água — ou, quando aplicável, gás inerte — até uma pressão de teste que costuma ser 1,5 vez a pressão de operação da linha. Em uma linha operando a 9 kgf/cm², por exemplo, o teste é feito a cerca de 14 kgf/cm².
O conjunto pressurizado é observado por um período — normalmente cerca de 10 minutos — verificando se o manômetro indica queda de pressão. Qualquer queda aponta para um ponto de vazamento nas conexões.
Se houver perda de pressão, as juntas e uniões são verificadas com água e sabão — as bolhas indicam exatamente onde está o vazamento. O ponto é corrigido e o teste é refeito do zero.
Só depois de passar o tempo de observação sem qualquer queda de pressão o conjunto é liberado para o início efetivo da furação.
Um detalhe pouco comentado fora do ambiente técnico: em pontos de trepanação a mais de 2 metros de altura, a operação exige içamento da máquina — que pode pesar até 600 kg — e estrutura de andaime ou plataforma para a execução segura do serviço. Esse planejamento logístico faz parte do orçamento e do cronograma de qualquer projeto em tubulações elevadas ou em plantas com tubulações suspensas.
A escolha entre água e gás inerte para o teste depende do fluido da linha, da temperatura de operação e de restrições específicas do cliente — por exemplo, em linhas que não podem receber água por risco de contaminação, ou em temperaturas em que a água poderia congelar. Essa decisão faz parte do planejamento técnico anterior à mobilização de campo.
Pular ou abreviar o teste de estanqueidade é um dos erros mais graves — e mais evitáveis — em um projeto de trepanação em carga. Um vazamento não detectado antes do corte pode se manifestar exatamente no momento em que o operador menos pode reagir: com a broca ou serra copo já penetrando a parede da tubulação. Por isso, cada projeto da Opertec Engenharia inclui o teste de estanqueidade documentado como etapa obrigatória, com registro da pressão de teste, do tempo de observação e do resultado, antes de qualquer corte ser autorizado.
O teste de estanqueidade é, na prática, o que separa uma trepanação em carga segura de uma aposta. Não é uma formalidade — é a confirmação física de que o sistema está pronto para o momento mais crítico da operação. Veja mais sobre o processo completo na página de Trepanação em Carga (Hot Tapping).
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